Certa vez escrevi um texto intitulado Crime e Castigo. Ele tratava sobre a redução da maioridade penal no Brasil.
Naquela época, eu já tinha ouvido falar da homônima obra de Fiódor Dostoiévski (por isso escolhi o título da minha redação), mas, não tinha a menor idéia de quantas similaridades haviam entre a minha temática e as características do protagonista Raskólnikov.
Assim como os personagens da minha história, Ródia - como ele é chamado no livro - era jovem. Do alto dos seus 23 anos tinha a mesma ilusão de domínio do universo. Uma espécie de complexo de Cérebro (aquele do desenho que todo santo dia acordava querendo dominar o mundo).
Enfim... Ródia não era um mau sujeito. Universitário sustentado pela mãe e pela irmã, assim como Cérebro um belo dia se cansou da mediocridade da sua vida. E para mudar tal quadro decidiu matar uma velha que na visão dele era insignificante e até mesmo nociva ao funcionamento da sociedade.
O fato de a sua vítima não ser lá muito bem quista pelo high society (e pelo low society também), para ele já era motivo suficiente que validava o seu ato. Além disso, Ródia se considerava um ser extraordinário perante os outros.
E então, tal como Napoleão Bonaparte e outros vultos históricos ele tinha autonomia para se livrar de quaisquer obstáculos, mesmo que fossem vidas humanas.
Partindo desse pressuposto ele decide levar a cabo seu plano. Porém, algo dá errado no seu executar. Depois de aplicar golpes de machado na mulher indefesa, ele se depara com a irmã da vítima e acaba fazendo uma nova morte.
A partir daí, ele se remoe entre sentimentos mistos de loucura e de medo de ser descoberto. Mas, nunca de remorso. Para ele o caminho tomado era correto e devidamente justificado.
A narrativa nos apresenta outras nuances interessantes. Ródia não é o único fio condutor da obra. Personagens interessantíssimos emolduram a história, bem ambientada na cidade russa de São Petersburgo, composta de detalhes tão minunciosos que num primeiro momento podem entendiar o leitor. No entanto, uma maior paciência e curiosidade pela história nos levam a descobertas maravilhosas no texto perfeito de Dostoiévski.
No fim, Ródia confessa o seu crime. Como um adolescente de 16 anos não se considera culpado na verdade. O que fez não merece ser punido. Ao contrário. Seu ato deveria ser premiado. Afinal ele livrou o mundo de uma criatura abominável.
Para seu desgosto, acaba na prisão. E só encontra a verdadeira liberdade (a de espírito) através do amor de Sônia que o convence da necessidade de uma prostração em busca da paz que há muito não tinha.
Ródia é o retrato da falta de amor. E acima de tudo da dificuldade de se demonstrar amor. Foi preciso que ele cometesse um crime para que descobrisse que já vivia em permanente castigo. O castigo de uma existência solitária e atormentada. Uma existência sem compartilhar amor.
Naquela época, eu já tinha ouvido falar da homônima obra de Fiódor Dostoiévski (por isso escolhi o título da minha redação), mas, não tinha a menor idéia de quantas similaridades haviam entre a minha temática e as características do protagonista Raskólnikov.
Assim como os personagens da minha história, Ródia - como ele é chamado no livro - era jovem. Do alto dos seus 23 anos tinha a mesma ilusão de domínio do universo. Uma espécie de complexo de Cérebro (aquele do desenho que todo santo dia acordava querendo dominar o mundo).
Enfim... Ródia não era um mau sujeito. Universitário sustentado pela mãe e pela irmã, assim como Cérebro um belo dia se cansou da mediocridade da sua vida. E para mudar tal quadro decidiu matar uma velha que na visão dele era insignificante e até mesmo nociva ao funcionamento da sociedade.
O fato de a sua vítima não ser lá muito bem quista pelo high society (e pelo low society também), para ele já era motivo suficiente que validava o seu ato. Além disso, Ródia se considerava um ser extraordinário perante os outros.
E então, tal como Napoleão Bonaparte e outros vultos históricos ele tinha autonomia para se livrar de quaisquer obstáculos, mesmo que fossem vidas humanas.
Partindo desse pressuposto ele decide levar a cabo seu plano. Porém, algo dá errado no seu executar. Depois de aplicar golpes de machado na mulher indefesa, ele se depara com a irmã da vítima e acaba fazendo uma nova morte.
A partir daí, ele se remoe entre sentimentos mistos de loucura e de medo de ser descoberto. Mas, nunca de remorso. Para ele o caminho tomado era correto e devidamente justificado.
A narrativa nos apresenta outras nuances interessantes. Ródia não é o único fio condutor da obra. Personagens interessantíssimos emolduram a história, bem ambientada na cidade russa de São Petersburgo, composta de detalhes tão minunciosos que num primeiro momento podem entendiar o leitor. No entanto, uma maior paciência e curiosidade pela história nos levam a descobertas maravilhosas no texto perfeito de Dostoiévski.
No fim, Ródia confessa o seu crime. Como um adolescente de 16 anos não se considera culpado na verdade. O que fez não merece ser punido. Ao contrário. Seu ato deveria ser premiado. Afinal ele livrou o mundo de uma criatura abominável.
Para seu desgosto, acaba na prisão. E só encontra a verdadeira liberdade (a de espírito) através do amor de Sônia que o convence da necessidade de uma prostração em busca da paz que há muito não tinha.
Ródia é o retrato da falta de amor. E acima de tudo da dificuldade de se demonstrar amor. Foi preciso que ele cometesse um crime para que descobrisse que já vivia em permanente castigo. O castigo de uma existência solitária e atormentada. Uma existência sem compartilhar amor.

3 comentários:
Poxa, fiquei interessada nesta obra.....
E eu sou louca pra ler Dostoiévski, sabe? Uma vez um amigo me recomendou. Do jeito que você fala, parece ser realmente MUITO bom. Então, agora são duas recomendações.=p
^^
Sabe q estavamos discutindo isso na aula de psicologia do desenvolvimento? E ficou bem claro que são as relações sociais as responsáveis por tudo...
x]]~~
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