terça-feira, 29 de setembro de 2009

A juventude e o crime

Certa vez escrevi um texto intitulado Crime e Castigo. Ele tratava sobre a redução da maioridade penal no Brasil.
Naquela época, eu já tinha ouvido falar da homônima obra de Fiódor Dostoiévski (por isso escolhi o título da minha redação), mas, não tinha a menor idéia de quantas similaridades haviam entre a minha temática e as características do protagonista Raskólnikov.
Assim como os personagens da minha história, Ródia - como ele é chamado no livro - era jovem. Do alto dos seus 23 anos tinha a mesma ilusão de domínio do universo. Uma espécie de complexo de Cérebro (aquele do desenho que todo santo dia acordava querendo dominar o mundo).
Enfim... Ródia não era um mau sujeito. Universitário sustentado pela mãe e pela irmã, assim como Cérebro um belo dia se cansou da mediocridade da sua vida. E para mudar tal quadro decidiu matar uma velha que na visão dele era insignificante e até mesmo nociva ao funcionamento da sociedade.
O fato de a sua vítima não ser lá muito bem quista pelo high society (e pelo low society também), para ele já era motivo suficiente que validava o seu ato. Além disso, Ródia se considerava um ser extraordinário perante os outros.
E então, tal como Napoleão Bonaparte e outros vultos históricos ele tinha autonomia para se livrar de quaisquer obstáculos, mesmo que fossem vidas humanas.
Partindo desse pressuposto ele decide levar a cabo seu plano. Porém, algo dá errado no seu executar. Depois de aplicar golpes de machado na mulher indefesa, ele se depara com a irmã da vítima e acaba fazendo uma nova morte.
A partir daí, ele se remoe entre sentimentos mistos de loucura e de medo de ser descoberto. Mas, nunca de remorso. Para ele o caminho tomado era correto e devidamente justificado.
A narrativa nos apresenta outras nuances interessantes. Ródia não é o único fio condutor da obra. Personagens interessantíssimos emolduram a história, bem ambientada na cidade russa de São Petersburgo, composta de detalhes tão minunciosos que num primeiro momento podem entendiar o leitor. No entanto, uma maior paciência e curiosidade pela história nos levam a descobertas maravilhosas no texto perfeito de Dostoiévski.
No fim, Ródia confessa o seu crime. Como um adolescente de 16 anos não se considera culpado na verdade. O que fez não merece ser punido. Ao contrário. Seu ato deveria ser premiado. Afinal ele livrou o mundo de uma criatura abominável.
Para seu desgosto, acaba na prisão. E só encontra a verdadeira liberdade (a de espírito) através do amor de Sônia que o convence da necessidade de uma prostração em busca da paz que há muito não tinha.
Ródia é o retrato da falta de amor. E acima de tudo da dificuldade de se demonstrar amor. Foi preciso que ele cometesse um crime para que descobrisse que já vivia em permanente castigo. O castigo de uma existência solitária e atormentada. Uma existência sem compartilhar amor.

sábado, 26 de setembro de 2009

Música boa


Estou viciada na banda irlandesa The Corrs.
Não é de hoje que admiro o som folk feito pelo quarteto de irmãos .
A primeira vez que ouvi a melodia penetrantre e a letra instigante de sua música foi ainda no final dos anos 90 com a balada "Only when I sleep".
Foi o suficiente para que eu me apaixonasse e não mais esquecesse.
Tenho ouvido uma compilação com vários sucessos dos quatro primeiros álbuns do grupo e não consigo passar um dia sem o fazer.
Além dos grandes sucessos como "Breathless" e "Runaway", me rendi a "Goodbye" e a lindíssima e arrepiante "No Frontiers".
Só ouvindo mesmo pra entender o poder daqueles violinos mesclados com o infalível piano que sempre norteia as composições.
E pra quem curte um som instrumental "Erin Shore" é uma representante que não deixa a desejar. Essa música exprime como nenhuma outra a influência folk e as raízes celtas presentes na cultura daquele país.
Acima a capa de Borrowed Heaven lançado em 2004.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

As bodas de prata

Sabe...
Resolvi dar uma de Michael J. Fox e estrelar um De volta para o Futuro. Ou passado. Não sei bem mensurar.
Estive pensando muito na vida em razão do meu vigésimo quinto aniversário ocorrido no último dia 19.
Me lembrei de quando tinha uns dez anos e vivia entre brincadeiras e livros no colégio.
Tinha uma brincadeira em especial que veio automaticamente no dia do meu aniversário.
Geralmente brincada só por meninas, ela funcionava dessa maneira:

Do lado esquerdo a gente colocava três nomes de meninos que tinham potencial para serem nossos maridos. Do lado direito, três nomes de cidades que você tivesse pretensão de morar. E no meio, dentro do quadrado, a idade que seria a ideal para a cerimônia matrimonial.
Eu sempre colocava 25. Achava que ao chegar nesse momento da vida estaria tudo esquematizado para o meu casório.
Teria já uma vida estabilizada, uma carreira profissional de sucesso, e tudo mais que se pretende ter quando se toma essa decisão.
De lá pra cá muitas dessas projeções mudaram.
A gente percebe que a vida não é gênio da lâmpada que dá direito a três desejos. As vezes você só tem uma opção. Por vezes nenhuma.
Mas, isso não é triste não. Na verdade é bem interessante.
A luta inevitável de todos os dias torna a vida bem mais legal de ser vivida. Tudo fácil não ia ter graça. E nem daria tanto prazer.
Quanto ao casamento...Não sei.
Acho que vai demorar um tantão pra eu encarar essa pedreira.
Não que eu desaprove a marcha nupcial. (Ela é meio tradicional demais, mas ok. E se eu casar na igreja vou trocá-la por outra música. A minha opção atual é As quatro estações de Vivaldi).
O fato é que nem de longe me sinto preparada pra dividir a vida com alguém.
Não tenho estrutura nem pra viver só, quiçá morar com uma outra pessoa.
Sou muito individualista e adoro privacidade. Ter que dar satisfação é uma tortura.
Sim. Porque querendo ou não, a gente tem que informar as pessoas pra onde vamos e quando voltaremos.
Se naquele tempo dos meus dez anos eu pudesse me ver agora, iria ficar feliz.
Não casei com o Daniel, não moro em São Paulo e não tenho uma conta no banco com cifras astronômicas.
Mas, tenho grandes amores na vida. Posso afirmar sem medo de errar. E eles são correspondidos apaixonadamente.
Tenho uma casa, um pai, uma mãe, um rumo pra minha vida de trabalho, e vários sonhos.
Acho que já é bastante coisa pra quem só tem 25 anos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nota triste

É assim que ele sempre será lembrado no coração de suas fãs...



Patrick Swayze (1952-2009)

Reflexão matinal

Aquele cara que jogou os sapatos no Bush foi solto.
Finalmente depois de alguns meses de bom comportamento na prisão deram a ele a prerrogativa da liberdade.
E como em qualquer comercial das Organizações Tabajara.."Não é só isso!"
O jornalista volta para o convívio dos seus totalmente por cima da carne seca.
De casa nova, carro novo, grana de alguns admiradores, plano de saúde e até cheio de propostas de casamento.
Isso é que é recompensa por uma boa ação.
Sim. Porque convenhamos. Valeu a tentativa de acertar o ex-presidente dos Estados Unidos.
Fico pensando...
O quê será que eu ganharia (além de um processo é claro) se eu tentasse atirar meu salto 10 no Sarney ou no Collor?!
Pode ser uma nova maneira de conhecer gente nova.
Pensarei com carinho no assunto.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Como pode resfriado no calor?

Setembro finalmente mostrou a que veio.
Está um calor de fritar ovo no asfalto aqui em Teresina.
Essa época do ano tem até um nome específico por aqui.
B-r-obró.
Explico.
Durante os meses de setembro, outubro e novembro, temos um calor insuportável por essas bandas.
Na verdade ele já se tornou suportável.
Apesar da gastura que dá ficar derretendo de suor, não pode dar uma chuvinha e fazer um friozinho que a gente já começa a sentir falta do mormaço.
Mesmo morando desde o nascimento nessa cidade, meu organismo ainda estranha as mudanças de temperatura.
No sábado eu estava ótima. E foi só levar uns choques térmicos pra que o meu fim de semana fosse por água abaixo.
Enfim...
Ainda estou colhendo os frutos desse mal estar e a minha voz está mais grave do que nunca.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A volta da alegria


Apesar do meu desinteresse pelo futebol tenho que dar o braço a torcer pra seleção de Dunga.
Sou daquele tipo de torcedor que desencanta se o time perde por falta de garra, mas que apóia a equipe que luta até o fim.
Definitivamente garra esse time tem.
Acho que pode ser a vontade da nova geração, o retorno de um espírito de conjunto (coisa que os jogadores com salários astronômicos não estão aí muito interessados), e o talento.
E como têm talento esses meninos.
É bonito de ver a bola tocada de pé em pé, o controle, a habilidade, e acima de tudo o compromisso com o trabalho que está sendo feito.
Faz muito tempo, mas muito tempo mesmo que não me sentia tão contente vendo um jogo de futebol.
Não estava mais nem acompanhando o São Paulo, coisa que sempre fiz.
Tinha perdido o gosto de ver a bola rolar.
Mas devo admitir que venho recuperando o entusiasmo devido a essas boas atuações da nossa seleção.
Não me confundam com torcedora sazonal. Não é porque 2010 é ano de copa que de repente voltei a acreditar no Brasil.
Foi justamente durante a copa de 2006 que meu desencanto começou a se configurar. Por motivos óbvios fui descreditando do tal quadrado mágico (se não me falha a memória era assim que a imprensa chamava o quarteto do ataque) e vi que a seleção não queria ganhar aquela competição.
Era só mais uma vitrine para contratações que envolvessem cifras estratosféricas e muitos contratos publicitários.
Talvez esse meu desânimo tenha se iniciado já no mundial de 1998, mas eu ainda estava no botão de flor dos quatorze anos e não captei a mensagem correta.
Não sei. Só sei que me diverti ontem.
E essa pra mim é a principal razão que nos leva a assistir um jogo de futebol.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O som da Independência


Acordei ao som de uma banda militar no desfile cívico de Brasília.
Minha irmã ligou a Tv e eu fui obrigada a me despedir do meu soninho de feriado.
É só pra isso que essa data serve mesmo. Pra gente dormir.
No meu bairro todos os anos acontece um desfile tal qual o de Brasília (acho que em todas as cidades brasileiras eles devem ocorrer), e no último sábado no cúmulo da decadência me deixei levar até lá.
Não que eu nunca tivesse ido, mas nesse momento do nosso país não vejo motivo algum pra comemorar essa suposta independência.
Quando eu era criança o desfile daqui era bem mais organizado, tinha a temática mais atrelada ao espírito da data.
O que vi no desse ano foi o total oposto. Falta de organização, sincronia e sentido.
Já naqueles tempos em que eu estudava no ensino fundamental, os estudantes que eram obrigados a desfilar (eu mesma nunca desfilei) não levavam a brincadeira a sério. Passar em marcha pela avenida principal era mais uma farra do que qualquer outra coisa.
E quem pode culpá-los?
Num país onde censuram os meios de comunicação, onde um diploma de jornalismo não vale o que deveria e no qual um presidente não canta seu hino no palanque em dia de desfile de 7 de setembro; era mesmo de se esperar que ninguém mais entenda e leve a sério as datas comemorativas.
Eu gosto do 7 de setembro. Acho que ele deveria servir para avivar na cabeça dos brasileiros o sentimento de brasilidade, a vontade de nos tornar independentes de verdade, de mudar isso tudo que está aí.
Infelizmente é só um feriado.
O mais legal mesmo é a banda. Vestida a caráter e entoando tambores e cornetas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Coisas da Gestalt

Mesmo que você não saiba inglês, este vídeo você vai entender.


video

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Frases de efeito

"O mundo te dá um limão e você faz uma caipirosca"
(Pitty)

"Celulite é: eu sou gostosa em braile."
(Léo Jaime)