domingo, 29 de novembro de 2009

Claro e escuro

E eles se beijaram.
Mara não podia ver, mas podia sentir que tinha perdido a batalha.
Os olhares das outras pessoas que estavam surpresas com aquele beijo não permitiam que restasse nenhuma dúvida sobre a perda.
Mais uma vez ela tinha perdido pra si mesma. Pra sua hesitação. Pra sua insegurança.
Não que ela fôsse insegura na essência. Com outros homens sabia se conduzir.
Com André era diferente. Ele era maravilhosamente ameaçador. Tinha um olhar descarado e ao mesmo tempo tímido. Era um olhar falante. E Mara tentou muito falar com os olhos naquela noite. Infelizmente não conseguiu.
Assim que chegaram ao bar Mara percebeu a presença de uma rival. Amanda. O pior é que elas se davam bem. Poderiam mesmo ser chamadas de amigas. Por causa dessa ligação entre elas não foi possível verbalizar sua vontade de estar com André. Não compartilhou com ninguém sua necessidade pelo beijo dele.
Ela sabia na verdade que ninguém deveria mesmo saber sobre isso. A única pessoa pra quem precisava contar era o próprio André.
Tentativas foram feitas nesse sentido, sem êxitos porém.
Os dois eram próximos. Amigos virtuais. Conversavam as vezes pela internet.
No entanto, quando se encontravam surgia uma barreira. Uma espécie de muro que se erguia diante dela. Dele também ela pensava. Afinal, aqueles olhares não podiam ser só coincidência de rota visual. Ela sentia que era especial. Lia nas entrelinhas das conversas deles que existia um algo mais. Uma faísca que precisava desesperadamente se transformar em uma chama. Quem sabe a chama que ela buscava para dar sentido a sua vida.
Mara e André eram parecidos. Ele também demonstrava ter dificuldades de relacionamento.
Ele tentou. Do seu jeito, mas tentou.
Aproveitou a escuridão do ambiente e se aproximou. Tocou Mara que assustada se afastou.
Não se afastou por querer. Foi como um ato reflexo.
Arrependida no momento imediatamente após, tentaria uma reaproximação. Um novo toque. Se tivesse tido coragem. Não teve.
Ao acender das luzes percebeu Amanda fazendo o que ela deveria fazer. Aí sua derrota começou a se configurar.
Não se sentia apta para lutar. Não tentou se insinuar. Nenhuma vez.
Quando no fim ouviu os comentários confirmadores só tinha vontade de chorar.
Mas, não fez nada. Foi embora sem ninguém cumprimentar. Nem André.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pessoas e citações

Um dia desses estava lendo a revista Superinteressante e vi um citação não menos interessante:

"Ciúme é querer manter o que se tem
Cobiça é querer o que não se tem
Inveja é não querer que o outro tenha".
(Zuenir Ventura)

Ler isso faz a cabeça efervescer.
De várias maneiras.
Acho que todo mundo guarda em si um pouco desses sentimentos.
E como eu estou incluída entre "todo mundo" lá vou eu.
CIÚME - sou ciumenta pra baralho (parafraseando Felipe Andreoli). Detesto que mexam nas minhas coisas sem pedir. Principalmente que mudem de lugar. Sou uma pessoa geralmente atrasada. Então, na hora que vou sair, me estressa quando preciso de algo que guardei e alguém foi lá e retirou de onde estava. Eu piro>>>Isso acontece com as pessoas também. Se sou apresentada a amigos novos dos meus amigos, sempre fica aquela pontinha de ciúme que é logo superada. Não sou caso de patologia. Sou publicitária (ou quase) e fico enciumada quando a idéia que plantei não consegue se agregar as outras do grupo. Faz parte do processo criativo. Enfim...
COBIÇA - Não sou muito de cobiçar coisas. Materialismo não combina comigo. Prefiro cobiçar pessoas. É bem mais divertido e instigante. Mas, CALMA, apesar de não ser muito religiosa continuo respeitando o décimo mandamento.
INVEJA - Tenho horror só de escrever essa palavra. Tá certo que às vezes me permito ter inveja branca (do bem) de algumas pessoas, mas não passa disso. Deve ser frustrante não conseguir o que se quer e ficar culpando os outros que conseguem. Coisa de gente covarde que não corre atrás dos objetivos.Não me encaixo nesse perfil.

Ninguém precisa ser perfeito pra ser feliz.
O lance é contrabalancear as qualidades e os defeitos pra não se atrapalhar.
Daí é só curtir esse mundão véi sem portêira.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Eu voltei... Agora pra ficar

Ai que saudade que eu estava de passear por aqui!
Minhas atividades estão me impedindo de fazer algo que me dá extremo prazer: ESCREVER.
E isso não é desculpa esfarrapada de quem enjoou do blog não.
Eu AMO blogar.
Nunca pensei que esse hábito seria tão necessário para a minha pessoa.
Adoro ter nascido na época do cyberespaço.
Eu tinha mesmo que ter surgido aqui. Nas portas do século XXI.
Sem casamento arranjado, sem escravidão (EU SOU NEGUINHA..), com mulheres mais atuantes, com liberdade de expressão.
Só não curto esse lance de aquecimento global. Poderíamos pular essa parte.
E por falar nisso convido a vocês a assinarem o abaixo assinado da campanha Tic-Tac.
Pra quem não conhece vale muito a pena dar uma olhadinha no site: http://www.tictactictac.org.br/
Assinar um manifesto pedindo que os líderes governamentais façam algo de real relevância pelo clima não é mais que nossa obrigação.


Beijíssimo