sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Primeiridade / Terceiridade

Quem já teve a oportunidade de estudar Semiótica faz idéia sobre o que o meu título se refere.
Infelizmente pra quem não entende, nem me atreverei a tentar explicitar esses conceitos sob pena de não falar coisa com coisa.
Sendo assim, vou aludir os sentidos que mais me convêm na construção desse texto.
O que me levou a escolher esse título está diretamente ligado as situações que vou relatar.
Nem sempre é assim. Geralmente o título vem muito depois do texto pronto e carrega pouca ou nenhuma correlação com o resultado final. Deve ser mania de publicitária que não quer que o título revele de cara o conteúdo e a mensagem do texto.
Deixando esses detalhes técnicos de lado vou partir pro assunto propriamente dito.
Contrariando a ordem do próprio título tive contato primeiramente com a terceiridade.
Encontrei um senhor no ponto de ônibus e inicialmente não dei muita importância, continuei absorta em meus pensamentos.
Alguns minutos mais tarde observei que ele era cego e que acenava para todos os carros que passavam pra não correr o risco de perder o ônibus.
Quando os motoristas paravam ele perguntava se era o coletivo que ele esperava. Nesse momento descobri que o destino de viagem dele era igual ao meu.
Diante da evidente má vontade dos motoristas em respondê-lo passei eu mesma a responder.
O senhor então começou a conversar comigo enquanto eu observava os seus trejeitos e me perguntava como os seus familiares permitiam que ele saísse sozinho.
No decorrer da conversa entendi que esse momento de independência de locomoção é extremamente importante pra ele. Talvez se não usufruísse dessa possibilidade de ir e vir poderia ser menos feliz e até deprimido.
Mesmo respeitando sua bravura e coragem não resisti e ajudei-o a se apoiar no ônibus para poder subir. Quando entrei os passageiros e o cobrador do ônibus me olhavam espantados como se eu tivesse feito grande coisa. Pra mim grande feito mesmo fez o senhor que se deslocou de um lado a outro da cidade sem ajuda de ninguém. Guiar a mão dele até o apoio do ônibus foi uma parcela mínima diante do sem número de desafios que ele enfrenta por dia.

LIÇÃO DA TERCEIRIDADE = sempre podemos aprender.

Num outro momento do dia fiquei um tempo com Lorie (uma menina fofa de mais ou menos cinco anos de idade). Ela manuseava uns bottons e num movimento brusco quase arrancou sua unha em processo de queda. Imediatamente Lorie cessou a brincadeira e começou a me perguntar se eu já tinha passado por isso.
Na verdade já. Três unhas minhas caíram. A primeira na infância depois de ter errado a mira do martelo, e as outras duas na adolescência em razão de duas pisadelas ultra potentes sofridas em um show do Paralamas do Sucesso.
Sabendo disso, Lorie descobriu em mim uma fonte de informações riquíssima sobre o assunto e perguntou de um tudo a respeito desse tópico.

LIÇÃO DA PRIMEIRIDADE = sempre podemos ensinar.

Isso é o melhor da vida. Saber que podemos desempenhar muitos papéis. Agora estamos aprendendo. Daqui a pouco poderemos estar ensinando.
O lance é ficar atento e não desperdiçar as oportunidades que aparecem na nossa frente.

2 comentários:

Larysse Tavares disse...

Muito bom Susy. ,uito bom esmo :)
Como você mesma disse, precisamos mesmo abrir os olhos e nos encantarmos com cada encontro, porque como você dise, eles podem ser únicos. E a vida é isso, ensinar e aprender, pra sempre. Um abraço :)

alezandri disse...

Isso mesmo!

E ao contrário do que se possa imaginar, não é nenhum favor que estamos a fazer às outras pessoas, ensinar ou aprender. Porque na verdade, estamos a enriquecer a nossa personalidade com jóias raras que completam a nossa marca neste mundo.

beijo.